Jaguaré: história

JAGUARÉ: DADOS HISTÓRICOS

O Jaguaré foi uma das muitas áreas rurais situadas além dos rios Tietê e Pinheiros cuja ocupação e exploração só se iniciou após o expressivo crescimento do parque industrial paulistano e da explosão demográfica a que a cidade assistiu a partir das primeiras décadas do século XX. Por volta de 1925, alguns imigrantes europeus encontram-se instalados nos arredores do futuro distrito, ocupados por fazendas, sítios e chácaras. A região que compreende o Jaguaré propriamente dito era uma grande fazenda de 165 alqueires, pertencente à Companhia Suburbana Paulista, empresa responsável pelo loteamento de terras, fundada por Ramos de Azevedo. O nome “Jaguaré” deve-se ao ribeirão homônimo, que nascia em Osasco e cortava a região até desembocar no rio Pinheiros. O vocábulo tem sua origem no tupi-guarani e significa “lugar onde existem onças”, em referência aos felinos (em tupi-guarani, “jaguar“, ou “jaguaretê“) que habitavam as matas dessa região.

Torre do relógio do Jaguaré.

Em 1935, a fazenda é adquirida pela Sociedade Imobiliária do Jaguaré, empresa criada por Henrique Dumont Villares, engenheiro agrônomo, sobrinho e afilhado de Santos Dumont. Henrique Dumont Villares idealizou um projeto de urbanização para a região, dividindo-a em áreas residenciais, comerciais e industriais. As ruas foram desenhadas de modo que o centro comercial fosse rodeado por residências e estas pelas indústrias. Foram construídas 42 praças e diversas casas para os funcionários da empresa. No ponto mais alto do Jaguaré, ergueu-se um mirante dotado de uma torre com relógio e sino, cuja função era servir de símbolo ao novo bairro. Canalizou-se o ribeirão Jaguaré e executou-se o traçado do sistema viário.

Igreja de São José do Jaguaré.

Desde a fase de implementação do projeto, no entanto, o rio Pinheiros já constituía uma barreira natural que limitava a circulação das pessoas e atrapalhava o plano de instalar um centro industrial na região. Em 1940, para sanar o problema, Henrique Dumont Villares doou à prefeitura a quantia de 700 réis a serem aplicados na construção da ponte do Jaguaré, ligando o distrito à também incipiente região de Vila Leopoldina, e, em seguida, à Lapa. O Grupo Matarazzo foi o primeiro a instalar uma fábrica na região. Com a conclusão da ponte, na década de 1940, outras dezenas de indústrias se instalariam no Jaguaré, incentivando o estabelecimento de funcionários e comerciantes e iniciando um período de grande crescimento econômico e demográfico. Em meados do século XX, o bairro já era considerado um dos mais industrializados da cidade, com mais de 125 fábricas e indústrias de pequeno, médio e grande porte.

Vista do Centro Industrial Jaguaré.

Em 1945, um grupo de missionários canadenses funda a Igreja de São José do Jaguaré, a primeira do bairro, e em 1947, em parceria com os padres da Congregação de Santa Cruz, Henrique Dumont funda o Externato Jaguaré, primeiro colégio da congregação no país. Henrique Dumont também doou à prefeitura uma área de aproximadamente 150 mil m², para que nela fosse implantada uma área de lazer. O espaço, no entanto, nunca foi aproveitado, e passou a ser invadido a partir das décadas de 1960 e 70, com a intensificação da migração para a cidade. Hoje, a área constitui a favela Vila Nova Jaguaré. Com 12 mil habitantes, é considerada a maior da cidade em área contínua (sem ruas pavimentadas).

Nas décadas seguintes, prossegue a expansão da região e novos bairros são incorporados ao distrito, como Parque Continental (na divisa com Osasco), Vila Graziela, Vila Lageado e Conjunto Butantã. O longo período de recessão econômica iniciado nos anos 70 e agravado nos anos 80, no entanto, afetou profundamente o distrito, com a saída e fechamento de várias empresas. Apesar disso, o Jaguaré se mantém como importante centro industrial: no ano 2000, o distrito registrava a presença de 156 indústrias, que juntas respondiam por mais de 8500 empregos diretos – mais do que o comércio (3149) e o setor de serviços (6126). Sem embargo, vem crescendo a participação do setor terciário na economia do distrito: em 1975 foi inaugurado o Shopping Continental, o primeiro centro comercial da região, e grandes empreendimentos imobiliários têm influenciado a verticalização em alguns bairros do Jaguaré, onde, em geral, predominam as casas térreas e sobrados.

Projeto urbanístico de Henrique Dumont Villares para o Jaguaré.

Fonte do texto e das imagens: Wikipedia (Pesquisado em 16/02/2010)

Edição dos links: responsável por este site.

Verifique também a VERSÃO DIDÁTICA.